Queridos pais:
Então, finalmente, chegaram as férias! Já escolheram o destino, estão cheios de entusiasmo e é hora de preparar as malas: é importante levar umas peças de roupa leve, uns chinelos de enfiar no dedo, uns chapéus coloridos, o protetor solar e…uns medos. Ah…não estavam à espera de levar medos na bagagem… entendo…, mas, sabem, os medos não descansam por conta própria: de repente os vossos filhos têm dificuldade em dormir porque são incomodados pelo medo do escuro, não conseguem aventurar-se nas ondas fresquinhas porque aparece o medo do mar e nem querem ir às festas lá da terra por causa do medo dos fogos de artifício. Os medos fazem parte do desenvolvimento infantil e são como os camaleões: surgem de muitas formas e cores e podem aumentar em situações novas, como nas férias. Então, o que podemos fazer para que esses medinhos e medões fiquem no lugar do passageiro e para que não tomem conta da viagem? Aqui ficam umas dicas muito simples de pôr em prática :
- Deem um nome ao medo, com a criança. Digam “Eu entendo que sentes medo do escuro” (isto valida o sentimento e mostra que estão a ouvir);
- ️ Usem a criatividade a vosso favor. Uma lanterna mágica contra monstros ou um cobertor mágico podem ajudar a vossa criança a sentir segurança;
- ️ Mantenham pequenas rotinas. Mesmo longe de casa, manter horários previsíveis para dormir ou comer podem ajudar (com flexibilidade, claro);
- Ouçam, sem julgar. Às vezes, o simples fato de ter alguém que ouve já ajuda a “encolher” os medos;
- Encorajem pequenos passos. Se a criança tem medo de água, comecem por ajudá-la a molhar os pés, juntos e sem pressão. Respeitar o tempo da criança é essencial.
O primeiro passo é reconhecer a presença dos medos e deixá-los estar, sem permitir que comandem. Afinal, a coragem não é a ausência de medos, mas a possibilidade de enfrentá-los, com apoio e com carinho. A Equipa Psike deseja-vos umas Boas férias!
Tânia d’Oliveira
Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde

